quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sobre Fulana

Menina praiana
Pintada de bronze
Na minha memória
Não encontro o teu nome

És rainha do belo
E fruto da arte
Enfim, o elo
Do augusto da tarde

Obra do rei Hélio,
Tua pele é singular
Se ainda a venero
É impossível não lembrar

Sete dias de verão
E fui me apaixonar
Contemplo as estrelas
Esperando te encontrar.

- A. Pacheco.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Teu Passado É O Meu Presente

Já não consigo dormir, tu apareces em meu sono e as circunstâncias transformam aquilo que seria um sonho em pesadelo. Encontrei nas ruas o meu refúgio, aproveito o silêncio da noite e ando sem caminho trilhado. Sinto-me preso, sem voz. Ouço meu coração e tua voz que me faz lembrar o quão longe estás, mesmo estando tão perto. Da lua vem acordes finos que lembram a melodia daqueles tempos.
Às vezes, canso-me de escrever o que poderia simplesmente falar. Parte de mim tem esperança de encontrar-te em uma dessas esquinas desertas. Parte de mim tem saudade do tempo em que dançávamos sem música; de quando mergulhava no teu olhar e podia te conhecer ainda mais. Hoje não te vejo mais. Não sei como és, não sei com quem estás; mas eu sei que lembras, vai passar por isso e vai tentar esquecer, mas no meu egoísmo, não vou deixar.
Meus passos me levaram pra porta da tua casa. Pensei em entrar e te fazer ouvir as histórias que tinha pra te contar, dizer-te o que se passou em dois anos. Entretanto, tudo isso só me faz lembrar que acabou pra ti, mas não pra mim. Talvez não tenhas lido as cartas, talvez tenha desmarcado as datas do calendário; mas ainda estou lá. A aurora começa a surgir. Os primeiros trabalhadores começam a sair de suas casas; está na hora de eu voltar pra minha.
Chego em casa e o mural na parede da sala me recorda aquilo que queria esquecer, só então percebi que ainda tem fotos suas espalhadas pela casa; o retrato ainda está lá, para baixo, mas está. Procuro a minha cama e ainda sinto teu cheiro nos lençóis, um turbilhão de pensamentos invade minha cabeça e, então, percebo que estou em um ciclo sem fim. Tu ainda estás aqui e não há como mudar; não há como voltar atrás.

- A. Pacheco.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Filosofia

Um dia, disseram-me que o amor é uma colisão entre duas pessoas que estão numa mesma rota; destino. Não sei, leitor, se concordas com o que vou falar-te, mas não sou adepto da possível existência de amores múltiplos; entendo que haja um só amor dentre inúmeras paixões.
O real amor é aquele que te faz enxergar os defeitos do seu par como a maior prova de sua identidade humana, pois sem estes, teu par seria a perfeição inexistente no mundo e tu não serias digno de tê-lo ao teu lado. O real amor não é possessivo; não existem dois, mas apenas um.
Qualquer outra paixão pode proporcionar-te a sensação do amor, mas não quer dizer que seja verdadeira. Quando se ama, qualquer coisa é comparada ao teu par e, por mais que detenha adjetivos exclusivos, nada se compara com a pessoa que detém teu coração, leitor.
Amor é doce, calmo e cruel. É único; único. Também eterno, enquanto durar, mas eterno. É antiquado nos tempos de hoje, mas não há definição justa. O que tu estás a ler é um humilde pensamento do poeta que engatinha nos campos da filosofia, mas que não escreve com a razão, sim com a emoção.
Imaginas que sentes; que vives teu amor, não te julgo. Oxalá tivesse eu a resposta desse enigma. Entretanto, a crueldade do amor é tamanha que só nos damos contas que vivemos o verdadeiro quando este chega ao seu fim; só então conseguimos "entendê-lo".
Para que se entenda esse sentimento docemente amargo, é preciso vivê-lo e neste caso, viver compreende todas as suas etapas e a mais difícil destas, de fato, é o fim; mas quem pode dizer que deixou de amar? Até mesmo o ódio é uma forma de amar, embora seja o estado de doença crônico do amor.

- A. Pacheco.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Quero O Eterno

Não procuro aquela divina beleza exterior nas mulheres, também não a ofereço. Todos temos aquilo que nos é deveras necessário. Se não apresento esta beleza de carcaça, de fato, dela não preciso. Entretanto, seria hipocrisia dizer que não aprecio, mas apreciar não exerce um emprego de necessidade senão aos viciados e incontrolados; a estes, tudo é questão de necessidade.
Vivo em um mundo um tanto superficial. Talvez tu, leitor, também vivas neste mundo, mas seria pretensão em demasia da minha parte expor-te a simples verdade, não? É que, por aqui, nem sempre a verdade é bem-vinda. Acredito que, na sua ingenualidade, ela pode ferir e magoar. Contudo, não seria a verdade que iria nos libertar dos sofrimentos? Que dilema. Confio na verdade, mas ainda insisto: não é o que a maioria procura por aqui.
Um pouco de sensasionalismo pode, leitor, fazer-te mudar tuas opiniões em segundos. Se achas que queres deveras a verdade, começa a procurá-la em ti. Terias tu resignação para analisar-te? Terias tu humildade para mudar? A forma mais simples de se encontrar é de dentro para fora. Eu disse a mais simples, entretanto, a mais fácil é a que vem de fora para dentro; já vem pronta.
Inteligência, humildade, bom-humor, resignação... são algumas coisas que procuro em mulheres. Não quero bocas de plásticos, nem sombrancelhas arqueadas eternamente. Não a quero mulher do mundo, a quero minha.
Necessito daquela que seja mais completa, humana e natural. Não preciso de mulheres de plástico, sem vida. Dessas, este mundo está cheio. Quero a ímpar, a mais mulher. Quero a felicidade em palavras; a beleza em atos; sinceridade. O tempo é ladrão e rápido leva a beleza, mas o que é da alma, é eterno.

- A. Pacheco.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Paraense

Assim que surge o Sol, a rua fica tomada pelo seu perfume; aquele tradicional cheiro do Pará que a enche as barracas do Ver-o-Peso. A sua essência dá orgulho de ser deste terra; os senhores fecham os olhos e vêem a bandeira vermelha de faixa branca e estrela azul, exemplo claro de sinestesia.
Esta vitória-régia que anda dançando o carimbó é a versão feminina do boto, arrasta os corações dos cabocos enquanto se encarrega da dança. Aliás, todo sábado lá está ela no terreiro exercendo o seu ofício. Dizem que, durante toda uma noite, ela dançou da marujada ao samba de catete. Os índios que a conhecem dizem que ela é broto da terra; mais uma lenda.
Os olhos da cor do açaí são, de fato, penetrantes. A voz quente como o clima da região chama a atenção em todo o território nacional. Seus traços corporais atraem olhares e arrancam "éguas" das bocas dos cabocos. Os cabelos encaracolados são o seu tesouro.
Ela brinca; usa e abusa da sua magia sobre os homens. Arruma-se para ouvir os assobios alheios e os ignora, rindo por dentro. Faz caras e bocas para conseguir o que quer e, quando consegue, esnoba.
Ela é caboca. É donzela. É sozinha no meio da multidão. É amante da paixão. É ingenuamente maliciosa. Ela é da cor do pecado. É trabalhadora, independente, forte. É do norte; paraense.

- A. Pacheco.

sábado, 1 de maio de 2010

Santa Ironia

Não interprete a situação de teus tormentos como o final de tuas esperanças, entenda que se vos deixo é porque minha vontade é superior à tua. Minha liberdade plena permite que eu me ausente de tua presença a partir do momento que assim eu quiser.
A vida continua engraçada como sempre foi; ontem era eu quem padecia sob as tuas ordens, mas, com o tempo, aprendi a controlar-me. Já tenho o antídoto do teu veneno. Ainda assim, não deixo de querer-te bem - ou melhor, não te quero mal -, a prova disso é que, hoje, enquanto sofres o que eu supostamente sofri, podes contar com a minha misericórdia, mas só com esta; não me peça mais que isso.
Sempre foste iludida pela história da Humanidade, não és a rainha do Universo que pensas ser. Creio que é justo o que se sucede. Imagines o desequilíbrio que tomaria o planeta se vós, mulheres impuras, fossem todas governantes. Utilize do teu bom-senso para entender o quete digo. Não entenda como um julgamento machista, pois se somente nós exercessemos nossas influências, o planeta seria igualmente caótico. Ninguém é santidade; ninguém é rei e rainha.
Mereces estas dores, mas juro não machucar-te (tanto). Aliás, nada farei; o desprezo age por si próprio.

- Ivan Bayer (pseudônimo).

terça-feira, 27 de abril de 2010

Amizades

Algumas existem há doze anos, outras há cinco e outras há menos ainda; mas todas com importância descomunal. Algumas dançam, outras lutam e ainda há aquelas que se empenham na comédia necessária das conversas corriqueiras, mesmo que estas últimas não sejam mais tão corriqueiras assim.
Talvez, leitor, não tenhas noção do que estas relações são capazes, por não tê-las ou simplesmente por não valorizá-las. Mas não te culpes, pois, por tempos, eu não as tinha dado as suas devidas importâncias individuais; digo ainda que me foi preciso perder a convivência das mesmas para poder entender as consequências de ter estas amizades.
É necessário aconselhar-te, leitor, a olhar tuas amizades e mesmo as pessoas que te querem bem, pois muito estas podem melhorar a tua pessoa. É claro que ficarás aborrecido quando alguma amizade apontar alguns pontos fracos de tua personalidade, mas também dever ter bom-senso para fazer a tua auto-análise; assim como eu fiz e faço.
Alguns acham que os amigos reais são aqueles que em tudo nos apoiam, mas, na realidade, os verdadeiros amigos são aqueles que apoiar-te-ão quando for o correto e repreender-te-ão quando for necessário; em resumo, são justos.
Graças ao Bom Senhor, eu posso dizer que sou munido destas amizades. Aliás, humildemente ofereço este simples texto aos meus reais amigos e exponho-lhes que quando estes precisarem, de certo terão minha ajuda. Porf fim, a única palavra que me resta a dizer-lhes é: obrigado.

- A. Pacheco.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Bailarina

Brilha. No teu dom de dançar, atrais as luzes todas para teus passos perfeitos. Os ângulos de tuas pernas evidenciam o teu domínio sobre a arte. O sorriso no rosto esconde qualquer traço de cansaço ou dificuldade provenientes do teu ofício.
A leveza de cada toque dos calcanhares no solo indica o ritmo que tu impões junto à música. Os olhares indicam a cronologia até chegar no clímax de tua perfomance. A arte de olhar antes de girar, prova que és equilibrada e que tens total consciência dos teus atos. Mas então, é chegada a hora em que deixas o som carregar-te, fechas os olhos e teu coração guia-te com as suas batidas.
O ar dança junto contigo e eleva teus cabelos, deixando-te mais mulher; a sensação é de êxtase. Agora já não fazes absolutamente nada, quem te domina é a própria música; estás possuída pelas notas e acordes que invadem teus ouvidos.
O mundo desaparece e o resto só tu sabes. És delicada e linda assim; és bailarina.

- A. Pacheco.

domingo, 25 de abril de 2010

Amantes

Prestes a ir embora, achei conveniente visitá-la uma última vez. Seria a noite de minha redenção, afinal era provável não mais vê-la. Não entendo como, mas ela sabia que eu iria visitá-la. Cheguei a pensar que ela pudesse controlar minha mente. A prova disso é que a mesa estava posta para dois, velas eram a única iluminação; em outra ocasião, julgaria um ambiente clichê, mas o real era surpreendente.
Provocante - como sempre -, pôs-se em um vestido negro que alinhava-se às suas curvas de Vênus. As unhas tingidas de vermelho forte contrastavam com sua pele clara. Igualmente sensual estava a sua boca macia. O perfume... Hm! O perfume... Este me levava a outros mundos quando meus olhos se fechavam.
Um jantar sofisticado, conversa amiga e casual. Um bom vinho chileno... outro argentino... um terceiro italiano e, por fim, o Porto tradicional. A música agora já era ignorada, assim como qualquer ruído externo. Por mais que a visibilidade estivesse distorcida pelo álcool, nossos olhos conversavam por própria vontade.
À porta, a despedida seria como qualquer outra, mas não fora: um último olhar e o beijo. Meus instintos tomaram conta da situação; o frenesi tomou posse dos dois. Rápido foi encontrar a cama, que serviu de palco para nossa apaixonada perfomance. O Dois transformou-se em Um. O torpor era o titeriteiro. O prazer, mútuo.
Quando, enfim, veio a lucidez, esta trouxe junto a iminência da separação. Mas agora a consciência havia me libertado para tomar meu rumo. O ofício de amante havia sido devidamente executado.

- A. Pacheco.

sábado, 24 de abril de 2010

Conflito

A arte de tuas armações é como o navegar de um navio imponente entre os desastres de uma guerra invisível entre nós. Não imagines que minha rendição será tão fácil como foi tua abordagem ao meu coração.
Mesmo que tens olhos saibam mentir com perfeição, superando as verdades inexistentes proferidas por tua vermelha boca, ainda é difícil seguir o caminho da razão; difícil para este empregado da paixão que vos escreve.
Nas necessidades casuais da vida, apenas a intensidade nos interessa. Ainda mais nesta mocidade que responde por nós.Tal mocidade que empurra-me para junto de ti. Mas e tu? Que queres de mim? Não te esqueças que meu perfume ainda está em teus lençóis, não somente nestes, mas em ti.
Nossas ações agravam nossas condições. És, simultaneamente, dona e objeto e eu, idem. Agora já não compreendo se tuas armações são meios de dominar-me ou se são técnicas para que tu consigas fugir de mim.

- A. Pacheco.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Utopia

Há tempos que teu perfume me carrega, que tua voz me anima, que teu ser é meu ser. Não me canso de entregar minhas energias para falar de ti, senhora. Alguns podem achar que sou louco por amar-te, mas é que não sabem que qualquer amor é válido desde que não seja malfeitor e o meu, senhora, é o mais bem-intencionado que podes encontrar.
Sim, amo-te em pensamento. Procuro a pureza do sentimento, já que este é tão belo quando se trata de vós. Sim, senhora... Senhora de minhas razões, de minhas ações; de mim. Oxalá morresse agora para que pudesse ter em meus braços o teu corpo estonteante que me alicia, mas então não seria puro e eu te perderia até mesmo de minha mente.
Não seria o amor, quimera? Algo de beleza ímpar como esta só poderia residir no paraíso. No entanto, não me preocupo em tentar entender as origens ou os destinos deste sentimento, para mim basta vivê-lo, sendo este real para mim, qualquer entedimento torna-se superficial e sem alicerces.
Porém, ainda há a possibilidade desta perfeição ser uma utopia. Afinal, tu, senhora, não existes senão em minha mente, talvez seja por isso que esse amor platônico é tão desprovido de defeitos; o perfeito não existe senão em minha imaginação.

- A. Pacheco.

sábado, 17 de abril de 2010

Mais Um...

Há algum tempo
Que a inspiração vem como vento
Então escrevo sem muito ardor
Vários poemas sobre este amor

Este que é misterioso,
Indolor e necessário
Outrora fantasioso
Porém nunca desprezado

Está em mim todos os dias
Enquanto canta o sabiá
Às vezes traz as alegrias
Que jamais poderão voltar

Tal é a identidade desse amor:
Único e comum
E sobre este poema
É só mais um...

- A. Pacheco.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sonho...

Perdi-me em tuas simpatias
Descobri os teus traços
Senti suas maravilhas
Ao te ter em meus braços

Ainda que exista liberdade
Troquei a minha por instantes
Nestes pude sentir a crueldade
Que de tua falta é resultante

Teu sorriso me convida
Tua malícia é angelical
Não há nada nessa vida
Que se pareça ou seja igual

Minha mente se inunda
Só me resta o que componho
Talvez ainda te veja esta noite
Enquanto sonho.

- A. Pacheco.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sem Definição, Sem Título.

Se teu coração sangra, deixe-o. Evitar a dor só adiará algum ensinamento que nos pode ser valioso. Podes achar que sofro do masoquismo e da loucura, mas se vos digo que é necessário que sofras é que a dor nos ensina mais precisamente que o amor.
Não fiques surpreendido caso tu te identifiques com minhas palavras, é uma regra universal; todos passam por isso. Ainda que eu vos diga todos os sofrimentos que hão de acontecer caso tomes certas decisões, nada irá impedí-lo e, então, só me darás razão quando encontrares na dor o entendimento de meus avisos.
O amor é como vírus: quando se faz forte, é tirano; mata. Diferentemente de como o descrevemos: lindo, majestoso. Primeiro amamos como senhores, depois o amor nos toma e aí, somos servos. Mas, adiante, sempre tiramos alguma lição do que se passou e, nessa ocasião, põe-se em evidência um antigo ditado: "se não aprendes pelo amor, aprendes pela dor". Neste caso, aprende-se por ambos os lados, amando e sofrendo.
A vida, às vezes, torna-se mais poética que o amor. Ainda que haja um ou dois românticos que prefiram morrer por amor, eu opto por viver por este.

terça-feira, 30 de março de 2010

Explicações

"Ciganas!
Vós sois ciganas!"
Se tu, leitora, não foste capaz de entender o que eu quis dizer, é porque não sabes os poderes que tens sobre mim, sobre nós; homens. A identidade de cigana é algo que, mesmo sem saber, carregas desde o teu natal. Acabo por chegar ao final de reflexões sobre teus atos femininos e a conclusão que tenho é assustadora.
Talvez os homens que te oprimiram no passado fossem sábios, pois tens o poder de definir o rumo do mundo com teus dons. Estes que somente serão dons se forem teus, leitora. Esta maldita arma que usas chamada de "sedução" arruína os planos masculinos, teu poder de persuação é entorpecente quando posto em prática.
Segues tua vida assim, simples e linda; independente e única. Causas inveja e admiração. És interessante, indefinida, inconstante. Roubas corações como gatunos, semeias-te em nós para depois arrancar-te pelas raízes deixando-nos ainda mais apaixonados por ti.
És cruel, mas amas. Amas proibidamente... as ciganas não podem amar, porque assim deixam de dominar e passam a ser dominadas e isso não é da natureza feminina. Jogas tuas palavras ao vento para que catives qualquer um que vos sirva de servo, senhora. Usas teus vassalos como achas melhor (ou pior!), apaixonas por prazer e até enxergas diversão em nosso sofrimento. Por estas razões é que amamos e odiamos tua pessoa dissimulada.
Ciganas!
Vós todas sois ciganas!

- A. Pacheco.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Destinatário: Leitora

Ciganas!
Vós sois ciganas!

- A. Pacheco.

domingo, 28 de março de 2010

Domingos Chuvosos

Que a saudade seria avassaladora ele já sabia...
Suportar chuvas melancólicas que agora lhe caíam como adagas é que tornou-se difícil, estava acostumado a sentí-las como pétalas quando estava junto dela. Ah! Ela. Fazia-lhe tanta falta que chegava a ficar aborrecido; como ela poderia tê-lo abandonado?
Via as lembranças na sua frente, naquela mesma rua onde tudo começou. Lembranças que a chuva fazia questão de deformar. Percebeu que tudo era muito injusto, que havia um punhal nas suas costas e que este passava a fazer parte dele. Estava incompleto.
Quis gritar, mas então olhou pro céu que estava púrpuro, viu o desenho dela nas nuvens e sentiu a ternura do que pensou ser o seu olhar. Suas lágrimas juntaram-se à chuva. Irreversível. Página virada. Mas não, ele não foi capaz de seguir em frente, era todo torpor. Nem sequer havia como dizer algo para ela e ele sabia disso, decidiu falar com as nuvens.
"Por quê?" Poderia falar tanta coisa, qualquer coisa. Só conseguiu perguntar o motivo do castigo que pairava sobre ele. Fechou os olhos e ficou a pensar, ele mesmo, no meio da rua deserta, nas possíveis respostas. E, enquanto isso, nem percebeu que as nuvens haviam ido embora e no lugar delas, um arco-íris apareceu.
Agradeceu aos céus; a ela. Um ano após a alma dela tê-lo abandonado, ele finalmente conseguiu entender que não importa o quanto demora uma chuva, porque quando esta se for, em algum lugar, um arco-íris vai aparecer.
Foi então que ele passou a gostar de domingos chuvosos.

- A. Pacheco.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Necessidade de Amar

Talvez o amor faça parte da cronologia de vida do ser humano. Sendo assim, nós não somente temos que nascer, crescer, reproduzir e morrer, mas também amar. Logo o certo seria que nós nascêssemos amados para poder, mais tarde, crescer amando. Desta forma, a reprodução não seria somente humana, também seria de amor. Por fim, poderíamos partir para uma terra de amor puro e pleno.
Inventamos, aprimoramos e retificamos coisas. Porém o amor é sempre o mesmo, abrangente e único. Se nos sentimos amados, as consequências disto são notórias. O ser humano, sente a necessidade de ser amado, até mesmo os seres vivos em geral, embora estes não tenham consciência.
Não me posso dar o luxo de usar técnicas metalinguísticas e nem utilizar mais de três parágrafos para falar de amor. Estaria a insultar os grandes poetas tentando definí-lo. Meu egoísmo obrigou-me a expor estas palavras que nada são além de frutos de um desabafo imaturo. Se achas que podes tirar daqui algo que lhe sirva, leitor, leve a reflexão.

- A. Pacheco.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Minha Euforia

Naquele fim de tarde, seus cabelos estavam ainda mais lindos, casando-se perfeitamente com o pôr-do-sol. Não imaginei que aqueles lençóis de seda pudessem seduzir a mim de tal forma que minha maior ânsia era tocá-los por um momento infinito.
Não obstante, meu desejo inquestionável por aquelas terras virgens que a formavam tornou-se mais forte, como se fosse espalhado por todo o meu ser até que eu não pudesse impedi-lo. Eu a queria em pedaços com a finalidade de torná-la cada vez mais única ao passo que me apaixonava.
Ainda senti seu perfume atordoar meus pensamentos tal que me sentia num frenesi. Ela me tinha em suas mãos, mas seus rituais eram sempre cautela e vagarosamente executados. A magia presente em suas palavras era capaz de roubar-me de mim e eu, confesso, nada podia fazer para livrar-me de suas seduções.
No entanto, não acontecera coisa mais comovente do que tocar seus cabelos com movimentos suaves e vagarosos; minha vontade era de nunca largar aquelas madeixas vivas de tom amarelado por um segundo da eternidade. Triunfante, senti-os em plena harmonia com a ponta de meus dedos; deveras senti-me dono deles, mas onde há de ocorrer de um tolo possuir tanta riqueza nas mãos? Pensei nisto. Foi então que senti a necessidade de segurá-los com mais ardor, porém não deixando de ser delicado.
Um sonho. Um sonho real que jamais esquecerei. Um deleite. Apesar de ter sido substituído pela lua, o sol fora a única testemunha da delirante emoção de um jovem que, pela primeira vez, havia sentido a delicadeza dos cabelos de uma ninfa.

- A. Pacheco.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Só Seus...

Não há como comparar.
A expressão de ingenuidade dissimulada. A expressão de sinceridade. A expressão de confiança. Só vem dos seus. Seus olhos. Por mais que o mundo todo mude, estes vivos olhos sempre serão o mesmo. Encantando e petrificando em cada olhar.
Busco e rebusco entre sentimentos e palavras a definição para o momento em que meus olhos se encontram com os teus. Talvez apaixone os outros, mas teu olhar me traz uma alegria, uma paz, uma melancolia.
Não há como descrever.
Poderia passar horas, dias ou semanas falando destes olhos raros, mas seria em vão; são indescritíveis. Mesmo fechados apresentam esta característica ímpar, uma simplicidade sem limites. Não me cansaria de contemplá-los enquanto dormes, enquanto choras, enquanto encenas tuas atitudes de cigana.
Agora uma curiosidade me consome: quero adentrar tua alma através destas janelas que denominam olhos para descobrir que outras belezas podes proporcionar. Porque não tens apenas olhos, tens tesouros e estes são seus, só seus.

- A. Pacheco.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Falando Por Mim... Por Nós

Não importa o quanto você corre atrás da pessoa que acredita ser a certa, você sempre vai entender que essas experiências estão longe de ser uma paraíso. Depois dizem que nós, homens, somos todos iguais. Discordo.
O que elas não sabem é que nós as estudamos desde muito cedo, quando elas acham que estamos apenas falando bobagens. Estamos observando, analisando. E de tanto prestar atenção no sexo oposto, acabamos nos identificando com uma(s) dessas garotas, mas isso não quer dizer que conquistaremos nosso objetivo, coisa que requer coragem, tal coragem é tão escassa nessas épocas juvenis.
As garotas se acham tão cheias de si; experientes e amadurecidas, mas muitas das vezes não percebem e nos tratam com indiferença enquanto nós tentamos mostrar o que sentimos indiretamente. Esse "fenômeno juvenil" acaba nos machucando e, em tempos de análise das coisas, passamos a nos afastar do que pode nos ser prejudicial a nós. Mas claro, não podemos generalizar.
Quando elas começam a nos "analisar", já estamos procurando o antídoto que cura esse veneno e acabam tendo uma visão ruim sobre nós, porém, foram elas mesmas que provocaram. A vida é cruel. A prova disso é que quando nós decidimos dar uma chance a elas e abrir o nosso coração, nos decepcionamos outra vez e acabamos ficando receosos e as decepcionando também. Tem cara de ciclo vicioso e, às vezes, realmente é.
O ponto é que também temos sentimentos, mas descobrimos primeiro que elas e acabamos mascarando estes com o propósito de nos denfendermos, afinal somos humanos como elas também.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Confissão Ao Coração.

Grita. Agora tens tua oportunidade de expressar-te, coração. Expõe o sentimento com o qual me dominas. Mostre-me a flor que há dentro de ti, pois os espinhos já sinto há tempos; esse teu amor saiu de ti, invadiu-me a mente e quer se mostrar forte, vivo. Tais sinais são invisíveis somente aos bobos; tu, coração, não te contentas em guardar esse segredo sozinho.
Ignoras minhas tentativas de negociação, procuras meu ponto fraco e o esmagas. Sou humano, minhas forças um dia hão de se esgotar; és bomba preste a explodir de emoção. Como és ingênuo, o amor dominou-te as forças e a mim mesmo. Desculpe a ignorância, mas tu não conseguiste enxergar que este sentimento estava dentro de ti, congelado, há tal tempo e ainda assim não arrumaste forças para se defender; francamente, mereces essas dores pelas quais padeces.
Se pretendes te entregar por inteiro, fique sabendo que não permitirei; apesar de padecermos juntos, é necessário cautela. Celebraremos o dia em que este amor sair de nossas dependências ou caso a recompensa chegue logo. Apesar de termos segredos, não somos os únicos, coração. Paciência é uma virtude, é bom ter virtudes. Precisamos de força... ora, mas que bobagem; tens razão, precisamos dela. Sabes que outras dessas confissões virão, mas sempre chegaremos a uma conclusão: esta menina secreta tem o calmante para as nossas angústias, porque simplesmente ela tem o nosso amor.

- A. Pacheco.