quinta-feira, 25 de março de 2010

Minha Euforia

Naquele fim de tarde, seus cabelos estavam ainda mais lindos, casando-se perfeitamente com o pôr-do-sol. Não imaginei que aqueles lençóis de seda pudessem seduzir a mim de tal forma que minha maior ânsia era tocá-los por um momento infinito.
Não obstante, meu desejo inquestionável por aquelas terras virgens que a formavam tornou-se mais forte, como se fosse espalhado por todo o meu ser até que eu não pudesse impedi-lo. Eu a queria em pedaços com a finalidade de torná-la cada vez mais única ao passo que me apaixonava.
Ainda senti seu perfume atordoar meus pensamentos tal que me sentia num frenesi. Ela me tinha em suas mãos, mas seus rituais eram sempre cautela e vagarosamente executados. A magia presente em suas palavras era capaz de roubar-me de mim e eu, confesso, nada podia fazer para livrar-me de suas seduções.
No entanto, não acontecera coisa mais comovente do que tocar seus cabelos com movimentos suaves e vagarosos; minha vontade era de nunca largar aquelas madeixas vivas de tom amarelado por um segundo da eternidade. Triunfante, senti-os em plena harmonia com a ponta de meus dedos; deveras senti-me dono deles, mas onde há de ocorrer de um tolo possuir tanta riqueza nas mãos? Pensei nisto. Foi então que senti a necessidade de segurá-los com mais ardor, porém não deixando de ser delicado.
Um sonho. Um sonho real que jamais esquecerei. Um deleite. Apesar de ter sido substituído pela lua, o sol fora a única testemunha da delirante emoção de um jovem que, pela primeira vez, havia sentido a delicadeza dos cabelos de uma ninfa.

- A. Pacheco.

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