terça-feira, 30 de março de 2010

Explicações

"Ciganas!
Vós sois ciganas!"
Se tu, leitora, não foste capaz de entender o que eu quis dizer, é porque não sabes os poderes que tens sobre mim, sobre nós; homens. A identidade de cigana é algo que, mesmo sem saber, carregas desde o teu natal. Acabo por chegar ao final de reflexões sobre teus atos femininos e a conclusão que tenho é assustadora.
Talvez os homens que te oprimiram no passado fossem sábios, pois tens o poder de definir o rumo do mundo com teus dons. Estes que somente serão dons se forem teus, leitora. Esta maldita arma que usas chamada de "sedução" arruína os planos masculinos, teu poder de persuação é entorpecente quando posto em prática.
Segues tua vida assim, simples e linda; independente e única. Causas inveja e admiração. És interessante, indefinida, inconstante. Roubas corações como gatunos, semeias-te em nós para depois arrancar-te pelas raízes deixando-nos ainda mais apaixonados por ti.
És cruel, mas amas. Amas proibidamente... as ciganas não podem amar, porque assim deixam de dominar e passam a ser dominadas e isso não é da natureza feminina. Jogas tuas palavras ao vento para que catives qualquer um que vos sirva de servo, senhora. Usas teus vassalos como achas melhor (ou pior!), apaixonas por prazer e até enxergas diversão em nosso sofrimento. Por estas razões é que amamos e odiamos tua pessoa dissimulada.
Ciganas!
Vós todas sois ciganas!

- A. Pacheco.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Destinatário: Leitora

Ciganas!
Vós sois ciganas!

- A. Pacheco.

domingo, 28 de março de 2010

Domingos Chuvosos

Que a saudade seria avassaladora ele já sabia...
Suportar chuvas melancólicas que agora lhe caíam como adagas é que tornou-se difícil, estava acostumado a sentí-las como pétalas quando estava junto dela. Ah! Ela. Fazia-lhe tanta falta que chegava a ficar aborrecido; como ela poderia tê-lo abandonado?
Via as lembranças na sua frente, naquela mesma rua onde tudo começou. Lembranças que a chuva fazia questão de deformar. Percebeu que tudo era muito injusto, que havia um punhal nas suas costas e que este passava a fazer parte dele. Estava incompleto.
Quis gritar, mas então olhou pro céu que estava púrpuro, viu o desenho dela nas nuvens e sentiu a ternura do que pensou ser o seu olhar. Suas lágrimas juntaram-se à chuva. Irreversível. Página virada. Mas não, ele não foi capaz de seguir em frente, era todo torpor. Nem sequer havia como dizer algo para ela e ele sabia disso, decidiu falar com as nuvens.
"Por quê?" Poderia falar tanta coisa, qualquer coisa. Só conseguiu perguntar o motivo do castigo que pairava sobre ele. Fechou os olhos e ficou a pensar, ele mesmo, no meio da rua deserta, nas possíveis respostas. E, enquanto isso, nem percebeu que as nuvens haviam ido embora e no lugar delas, um arco-íris apareceu.
Agradeceu aos céus; a ela. Um ano após a alma dela tê-lo abandonado, ele finalmente conseguiu entender que não importa o quanto demora uma chuva, porque quando esta se for, em algum lugar, um arco-íris vai aparecer.
Foi então que ele passou a gostar de domingos chuvosos.

- A. Pacheco.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Necessidade de Amar

Talvez o amor faça parte da cronologia de vida do ser humano. Sendo assim, nós não somente temos que nascer, crescer, reproduzir e morrer, mas também amar. Logo o certo seria que nós nascêssemos amados para poder, mais tarde, crescer amando. Desta forma, a reprodução não seria somente humana, também seria de amor. Por fim, poderíamos partir para uma terra de amor puro e pleno.
Inventamos, aprimoramos e retificamos coisas. Porém o amor é sempre o mesmo, abrangente e único. Se nos sentimos amados, as consequências disto são notórias. O ser humano, sente a necessidade de ser amado, até mesmo os seres vivos em geral, embora estes não tenham consciência.
Não me posso dar o luxo de usar técnicas metalinguísticas e nem utilizar mais de três parágrafos para falar de amor. Estaria a insultar os grandes poetas tentando definí-lo. Meu egoísmo obrigou-me a expor estas palavras que nada são além de frutos de um desabafo imaturo. Se achas que podes tirar daqui algo que lhe sirva, leitor, leve a reflexão.

- A. Pacheco.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Minha Euforia

Naquele fim de tarde, seus cabelos estavam ainda mais lindos, casando-se perfeitamente com o pôr-do-sol. Não imaginei que aqueles lençóis de seda pudessem seduzir a mim de tal forma que minha maior ânsia era tocá-los por um momento infinito.
Não obstante, meu desejo inquestionável por aquelas terras virgens que a formavam tornou-se mais forte, como se fosse espalhado por todo o meu ser até que eu não pudesse impedi-lo. Eu a queria em pedaços com a finalidade de torná-la cada vez mais única ao passo que me apaixonava.
Ainda senti seu perfume atordoar meus pensamentos tal que me sentia num frenesi. Ela me tinha em suas mãos, mas seus rituais eram sempre cautela e vagarosamente executados. A magia presente em suas palavras era capaz de roubar-me de mim e eu, confesso, nada podia fazer para livrar-me de suas seduções.
No entanto, não acontecera coisa mais comovente do que tocar seus cabelos com movimentos suaves e vagarosos; minha vontade era de nunca largar aquelas madeixas vivas de tom amarelado por um segundo da eternidade. Triunfante, senti-os em plena harmonia com a ponta de meus dedos; deveras senti-me dono deles, mas onde há de ocorrer de um tolo possuir tanta riqueza nas mãos? Pensei nisto. Foi então que senti a necessidade de segurá-los com mais ardor, porém não deixando de ser delicado.
Um sonho. Um sonho real que jamais esquecerei. Um deleite. Apesar de ter sido substituído pela lua, o sol fora a única testemunha da delirante emoção de um jovem que, pela primeira vez, havia sentido a delicadeza dos cabelos de uma ninfa.

- A. Pacheco.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Só Seus...

Não há como comparar.
A expressão de ingenuidade dissimulada. A expressão de sinceridade. A expressão de confiança. Só vem dos seus. Seus olhos. Por mais que o mundo todo mude, estes vivos olhos sempre serão o mesmo. Encantando e petrificando em cada olhar.
Busco e rebusco entre sentimentos e palavras a definição para o momento em que meus olhos se encontram com os teus. Talvez apaixone os outros, mas teu olhar me traz uma alegria, uma paz, uma melancolia.
Não há como descrever.
Poderia passar horas, dias ou semanas falando destes olhos raros, mas seria em vão; são indescritíveis. Mesmo fechados apresentam esta característica ímpar, uma simplicidade sem limites. Não me cansaria de contemplá-los enquanto dormes, enquanto choras, enquanto encenas tuas atitudes de cigana.
Agora uma curiosidade me consome: quero adentrar tua alma através destas janelas que denominam olhos para descobrir que outras belezas podes proporcionar. Porque não tens apenas olhos, tens tesouros e estes são seus, só seus.

- A. Pacheco.