terça-feira, 27 de abril de 2010

Amizades

Algumas existem há doze anos, outras há cinco e outras há menos ainda; mas todas com importância descomunal. Algumas dançam, outras lutam e ainda há aquelas que se empenham na comédia necessária das conversas corriqueiras, mesmo que estas últimas não sejam mais tão corriqueiras assim.
Talvez, leitor, não tenhas noção do que estas relações são capazes, por não tê-las ou simplesmente por não valorizá-las. Mas não te culpes, pois, por tempos, eu não as tinha dado as suas devidas importâncias individuais; digo ainda que me foi preciso perder a convivência das mesmas para poder entender as consequências de ter estas amizades.
É necessário aconselhar-te, leitor, a olhar tuas amizades e mesmo as pessoas que te querem bem, pois muito estas podem melhorar a tua pessoa. É claro que ficarás aborrecido quando alguma amizade apontar alguns pontos fracos de tua personalidade, mas também dever ter bom-senso para fazer a tua auto-análise; assim como eu fiz e faço.
Alguns acham que os amigos reais são aqueles que em tudo nos apoiam, mas, na realidade, os verdadeiros amigos são aqueles que apoiar-te-ão quando for o correto e repreender-te-ão quando for necessário; em resumo, são justos.
Graças ao Bom Senhor, eu posso dizer que sou munido destas amizades. Aliás, humildemente ofereço este simples texto aos meus reais amigos e exponho-lhes que quando estes precisarem, de certo terão minha ajuda. Porf fim, a única palavra que me resta a dizer-lhes é: obrigado.

- A. Pacheco.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Bailarina

Brilha. No teu dom de dançar, atrais as luzes todas para teus passos perfeitos. Os ângulos de tuas pernas evidenciam o teu domínio sobre a arte. O sorriso no rosto esconde qualquer traço de cansaço ou dificuldade provenientes do teu ofício.
A leveza de cada toque dos calcanhares no solo indica o ritmo que tu impões junto à música. Os olhares indicam a cronologia até chegar no clímax de tua perfomance. A arte de olhar antes de girar, prova que és equilibrada e que tens total consciência dos teus atos. Mas então, é chegada a hora em que deixas o som carregar-te, fechas os olhos e teu coração guia-te com as suas batidas.
O ar dança junto contigo e eleva teus cabelos, deixando-te mais mulher; a sensação é de êxtase. Agora já não fazes absolutamente nada, quem te domina é a própria música; estás possuída pelas notas e acordes que invadem teus ouvidos.
O mundo desaparece e o resto só tu sabes. És delicada e linda assim; és bailarina.

- A. Pacheco.

domingo, 25 de abril de 2010

Amantes

Prestes a ir embora, achei conveniente visitá-la uma última vez. Seria a noite de minha redenção, afinal era provável não mais vê-la. Não entendo como, mas ela sabia que eu iria visitá-la. Cheguei a pensar que ela pudesse controlar minha mente. A prova disso é que a mesa estava posta para dois, velas eram a única iluminação; em outra ocasião, julgaria um ambiente clichê, mas o real era surpreendente.
Provocante - como sempre -, pôs-se em um vestido negro que alinhava-se às suas curvas de Vênus. As unhas tingidas de vermelho forte contrastavam com sua pele clara. Igualmente sensual estava a sua boca macia. O perfume... Hm! O perfume... Este me levava a outros mundos quando meus olhos se fechavam.
Um jantar sofisticado, conversa amiga e casual. Um bom vinho chileno... outro argentino... um terceiro italiano e, por fim, o Porto tradicional. A música agora já era ignorada, assim como qualquer ruído externo. Por mais que a visibilidade estivesse distorcida pelo álcool, nossos olhos conversavam por própria vontade.
À porta, a despedida seria como qualquer outra, mas não fora: um último olhar e o beijo. Meus instintos tomaram conta da situação; o frenesi tomou posse dos dois. Rápido foi encontrar a cama, que serviu de palco para nossa apaixonada perfomance. O Dois transformou-se em Um. O torpor era o titeriteiro. O prazer, mútuo.
Quando, enfim, veio a lucidez, esta trouxe junto a iminência da separação. Mas agora a consciência havia me libertado para tomar meu rumo. O ofício de amante havia sido devidamente executado.

- A. Pacheco.

sábado, 24 de abril de 2010

Conflito

A arte de tuas armações é como o navegar de um navio imponente entre os desastres de uma guerra invisível entre nós. Não imagines que minha rendição será tão fácil como foi tua abordagem ao meu coração.
Mesmo que tens olhos saibam mentir com perfeição, superando as verdades inexistentes proferidas por tua vermelha boca, ainda é difícil seguir o caminho da razão; difícil para este empregado da paixão que vos escreve.
Nas necessidades casuais da vida, apenas a intensidade nos interessa. Ainda mais nesta mocidade que responde por nós.Tal mocidade que empurra-me para junto de ti. Mas e tu? Que queres de mim? Não te esqueças que meu perfume ainda está em teus lençóis, não somente nestes, mas em ti.
Nossas ações agravam nossas condições. És, simultaneamente, dona e objeto e eu, idem. Agora já não compreendo se tuas armações são meios de dominar-me ou se são técnicas para que tu consigas fugir de mim.

- A. Pacheco.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Utopia

Há tempos que teu perfume me carrega, que tua voz me anima, que teu ser é meu ser. Não me canso de entregar minhas energias para falar de ti, senhora. Alguns podem achar que sou louco por amar-te, mas é que não sabem que qualquer amor é válido desde que não seja malfeitor e o meu, senhora, é o mais bem-intencionado que podes encontrar.
Sim, amo-te em pensamento. Procuro a pureza do sentimento, já que este é tão belo quando se trata de vós. Sim, senhora... Senhora de minhas razões, de minhas ações; de mim. Oxalá morresse agora para que pudesse ter em meus braços o teu corpo estonteante que me alicia, mas então não seria puro e eu te perderia até mesmo de minha mente.
Não seria o amor, quimera? Algo de beleza ímpar como esta só poderia residir no paraíso. No entanto, não me preocupo em tentar entender as origens ou os destinos deste sentimento, para mim basta vivê-lo, sendo este real para mim, qualquer entedimento torna-se superficial e sem alicerces.
Porém, ainda há a possibilidade desta perfeição ser uma utopia. Afinal, tu, senhora, não existes senão em minha mente, talvez seja por isso que esse amor platônico é tão desprovido de defeitos; o perfeito não existe senão em minha imaginação.

- A. Pacheco.

sábado, 17 de abril de 2010

Mais Um...

Há algum tempo
Que a inspiração vem como vento
Então escrevo sem muito ardor
Vários poemas sobre este amor

Este que é misterioso,
Indolor e necessário
Outrora fantasioso
Porém nunca desprezado

Está em mim todos os dias
Enquanto canta o sabiá
Às vezes traz as alegrias
Que jamais poderão voltar

Tal é a identidade desse amor:
Único e comum
E sobre este poema
É só mais um...

- A. Pacheco.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Sonho...

Perdi-me em tuas simpatias
Descobri os teus traços
Senti suas maravilhas
Ao te ter em meus braços

Ainda que exista liberdade
Troquei a minha por instantes
Nestes pude sentir a crueldade
Que de tua falta é resultante

Teu sorriso me convida
Tua malícia é angelical
Não há nada nessa vida
Que se pareça ou seja igual

Minha mente se inunda
Só me resta o que componho
Talvez ainda te veja esta noite
Enquanto sonho.

- A. Pacheco.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sem Definição, Sem Título.

Se teu coração sangra, deixe-o. Evitar a dor só adiará algum ensinamento que nos pode ser valioso. Podes achar que sofro do masoquismo e da loucura, mas se vos digo que é necessário que sofras é que a dor nos ensina mais precisamente que o amor.
Não fiques surpreendido caso tu te identifiques com minhas palavras, é uma regra universal; todos passam por isso. Ainda que eu vos diga todos os sofrimentos que hão de acontecer caso tomes certas decisões, nada irá impedí-lo e, então, só me darás razão quando encontrares na dor o entendimento de meus avisos.
O amor é como vírus: quando se faz forte, é tirano; mata. Diferentemente de como o descrevemos: lindo, majestoso. Primeiro amamos como senhores, depois o amor nos toma e aí, somos servos. Mas, adiante, sempre tiramos alguma lição do que se passou e, nessa ocasião, põe-se em evidência um antigo ditado: "se não aprendes pelo amor, aprendes pela dor". Neste caso, aprende-se por ambos os lados, amando e sofrendo.
A vida, às vezes, torna-se mais poética que o amor. Ainda que haja um ou dois românticos que prefiram morrer por amor, eu opto por viver por este.