Já não consigo dormir, tu apareces em meu sono e as circunstâncias transformam aquilo que seria um sonho em pesadelo. Encontrei nas ruas o meu refúgio, aproveito o silêncio da noite e ando sem caminho trilhado. Sinto-me preso, sem voz. Ouço meu coração e tua voz que me faz lembrar o quão longe estás, mesmo estando tão perto. Da lua vem acordes finos que lembram a melodia daqueles tempos.
Às vezes, canso-me de escrever o que poderia simplesmente falar. Parte de mim tem esperança de encontrar-te em uma dessas esquinas desertas. Parte de mim tem saudade do tempo em que dançávamos sem música; de quando mergulhava no teu olhar e podia te conhecer ainda mais. Hoje não te vejo mais. Não sei como és, não sei com quem estás; mas eu sei que lembras, vai passar por isso e vai tentar esquecer, mas no meu egoísmo, não vou deixar.
Meus passos me levaram pra porta da tua casa. Pensei em entrar e te fazer ouvir as histórias que tinha pra te contar, dizer-te o que se passou em dois anos. Entretanto, tudo isso só me faz lembrar que acabou pra ti, mas não pra mim. Talvez não tenhas lido as cartas, talvez tenha desmarcado as datas do calendário; mas ainda estou lá. A aurora começa a surgir. Os primeiros trabalhadores começam a sair de suas casas; está na hora de eu voltar pra minha.
Chego em casa e o mural na parede da sala me recorda aquilo que queria esquecer, só então percebi que ainda tem fotos suas espalhadas pela casa; o retrato ainda está lá, para baixo, mas está. Procuro a minha cama e ainda sinto teu cheiro nos lençóis, um turbilhão de pensamentos invade minha cabeça e, então, percebo que estou em um ciclo sem fim. Tu ainda estás aqui e não há como mudar; não há como voltar atrás.
- A. Pacheco.
Às vezes, canso-me de escrever o que poderia simplesmente falar. Parte de mim tem esperança de encontrar-te em uma dessas esquinas desertas. Parte de mim tem saudade do tempo em que dançávamos sem música; de quando mergulhava no teu olhar e podia te conhecer ainda mais. Hoje não te vejo mais. Não sei como és, não sei com quem estás; mas eu sei que lembras, vai passar por isso e vai tentar esquecer, mas no meu egoísmo, não vou deixar.
Meus passos me levaram pra porta da tua casa. Pensei em entrar e te fazer ouvir as histórias que tinha pra te contar, dizer-te o que se passou em dois anos. Entretanto, tudo isso só me faz lembrar que acabou pra ti, mas não pra mim. Talvez não tenhas lido as cartas, talvez tenha desmarcado as datas do calendário; mas ainda estou lá. A aurora começa a surgir. Os primeiros trabalhadores começam a sair de suas casas; está na hora de eu voltar pra minha.
Chego em casa e o mural na parede da sala me recorda aquilo que queria esquecer, só então percebi que ainda tem fotos suas espalhadas pela casa; o retrato ainda está lá, para baixo, mas está. Procuro a minha cama e ainda sinto teu cheiro nos lençóis, um turbilhão de pensamentos invade minha cabeça e, então, percebo que estou em um ciclo sem fim. Tu ainda estás aqui e não há como mudar; não há como voltar atrás.
- A. Pacheco.
