quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Prisão

O que eu sinto hoje é uma espécie de suave preservação de sentimento para depois tentar destruí-lo. E este teve início de uma forma que vou tentar descrever.
Cheguei. Fui seguindo a trilha que fora traçada segundos ou frações de segundos antes. Alguns diálogos surgiram e meus interlocutores tornaram-se companhia. Continuamos a andar até chegarmos em um local comum para nós, porém hesitei. Ouvi risinhos atrás de mim que logo ignorei como se fossem tentativas de desviar minha atenção.
Senti que uma pessoa que estava comigo também hesitou, mas algo deve ter dito em sua mente: vá em frente. Sei pois ouvi algo semelhante. No entanto, foi ela quem tomou a iniciativa primeiro; fiquei atrás, refletindo sobre nada. Enfim, decidi continuar.
Subi escadas, aqueles degraus seriam cúmplices do que crime que estava por vir. Lembro bem que era uma tarde de sexta-feira e este fato indicava que o fim-de-semana não seria fácil. Continuando, estávamos meio espantados com toda aquela avalanche de acontecimentos simultâneos e triviais - seriam mesmo, triviais? - Ao fim das escadas, sentei-me e fiquei a pensar comigo mesmo "o que há de acontecer após isto tudo?". Mal sabia que minha condenação estava próxima.
Compreendia que faria algo ali, mas também sabia que não o faria sozinho. A consciência já apontava para a consumação do ato e, passo a passo, fomos nos aproximando do local já determinado; diante das grades. Estas mesmas grades que simbolizariam a minha prisão. Nos olhamos, hesitamos mais uma vez e decidimos executá-lo. Aproximei-me da cúmplice e fechei os olhos, segundos... sem barulho; estava feito, missão cumprida.
Hoje, escrevo esta confissão colocando em evidência o meu estado de prisioneiro; prisioneiro deste amor que começou com aquele beijo diante das grades... aquelas malditas - ou benditas - grades.

- A. Pacheco.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Olhe Pela Janela

Uma certa melodia me encontra na esquina da tua casa, não a ouço com os ouvidos mas a sinto com o coração; é uma sensação diferente, poderosa. Esta mesma melodia tem efeitos colaterais, tais como um pós-guerra ou trazendo a aurora. É certo que não é uma melodia real, é algo resultante do encontro da alma com a mente e coração.
Sinto uma forte ligação e é como se eu soubesse que você sente também. Já podemos saber quando um está a olhar para o outro, mesmo que não vejamos isso. É como um sexto sentido que insiste em nos deixar unidos, de alguma forma; por mais que seja numa simples composição de notas e pensamentos.
Eu não questiono o que é isso, de fato. Porque o amor é inquestionável. Mas eu me pergunto o que faz essa conexão interior existir já que há tempos não estamos juntos. No entanto, num dia desses, enquanto procurava a resposta pra isso, lembrei você... conversando comigo, olhando nos meus olhos; com ternura no olhar, com sinceridade. E então fechei os meus olhos e só via os teus no meu pensamento, foi aí que eu entendi o porquê que os olhos são as janelas da alma; pois quando olho bem no fundo dos teus, daquele jeito que eu sempre te vejo, eu posso me ver no teu olhar, mostrando que estou dentro de ti; marcado na tua alma.
O mesmo tu podes perceber mais de uma forma bem mais intensa, porque estás no meu coração, na minha alma e na minha mente. Não sais de mim nem mesmo caso quisermos. Então, quando ler ou ouvir tudo o que tenho pra te falar, olhe pela janela e vais entender o que eu sinto quando aquela melodia me lembra o teu olhar.

- A. Pacheco.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ignora

Rima não é o que eu quero
Sentimento bonito não é o que eu exploro
Saudade não é o que devo sentir
Amor não é o que exponho aqui

É um desabafo por um poema mascarado
Em uma forma delicada
Pra não mostrar o que sinto
Como uma flor de pétala arrancada

Agora o que me resta é terminar esse verso
Que não quer ser terminado
Que luta com todas as suas forças
Silencioso, determinado

Só tenho uma coisa a falar pra sua senhora
Sabe todos esses versos que escrevi?
Pois então, ignora.