Assim que surge o Sol, a rua fica tomada pelo seu perfume; aquele tradicional cheiro do Pará que a enche as barracas do Ver-o-Peso. A sua essência dá orgulho de ser deste terra; os senhores fecham os olhos e vêem a bandeira vermelha de faixa branca e estrela azul, exemplo claro de sinestesia.
Esta vitória-régia que anda dançando o carimbó é a versão feminina do boto, arrasta os corações dos cabocos enquanto se encarrega da dança. Aliás, todo sábado lá está ela no terreiro exercendo o seu ofício. Dizem que, durante toda uma noite, ela dançou da marujada ao samba de catete. Os índios que a conhecem dizem que ela é broto da terra; mais uma lenda.
Os olhos da cor do açaí são, de fato, penetrantes. A voz quente como o clima da região chama a atenção em todo o território nacional. Seus traços corporais atraem olhares e arrancam "éguas" das bocas dos cabocos. Os cabelos encaracolados são o seu tesouro.
Ela brinca; usa e abusa da sua magia sobre os homens. Arruma-se para ouvir os assobios alheios e os ignora, rindo por dentro. Faz caras e bocas para conseguir o que quer e, quando consegue, esnoba.
Ela é caboca. É donzela. É sozinha no meio da multidão. É amante da paixão. É ingenuamente maliciosa. Ela é da cor do pecado. É trabalhadora, independente, forte. É do norte; paraense.
- A. Pacheco.
Esta vitória-régia que anda dançando o carimbó é a versão feminina do boto, arrasta os corações dos cabocos enquanto se encarrega da dança. Aliás, todo sábado lá está ela no terreiro exercendo o seu ofício. Dizem que, durante toda uma noite, ela dançou da marujada ao samba de catete. Os índios que a conhecem dizem que ela é broto da terra; mais uma lenda.
Os olhos da cor do açaí são, de fato, penetrantes. A voz quente como o clima da região chama a atenção em todo o território nacional. Seus traços corporais atraem olhares e arrancam "éguas" das bocas dos cabocos. Os cabelos encaracolados são o seu tesouro.
Ela brinca; usa e abusa da sua magia sobre os homens. Arruma-se para ouvir os assobios alheios e os ignora, rindo por dentro. Faz caras e bocas para conseguir o que quer e, quando consegue, esnoba.
Ela é caboca. É donzela. É sozinha no meio da multidão. É amante da paixão. É ingenuamente maliciosa. Ela é da cor do pecado. É trabalhadora, independente, forte. É do norte; paraense.
- A. Pacheco.

Nenhum comentário:
Não é permitido fazer novos comentários.