Que a saudade seria avassaladora ele já sabia...
Suportar chuvas melancólicas que agora lhe caíam como adagas é que tornou-se difícil, estava acostumado a sentí-las como pétalas quando estava junto dela. Ah! Ela. Fazia-lhe tanta falta que chegava a ficar aborrecido; como ela poderia tê-lo abandonado?
Via as lembranças na sua frente, naquela mesma rua onde tudo começou. Lembranças que a chuva fazia questão de deformar. Percebeu que tudo era muito injusto, que havia um punhal nas suas costas e que este passava a fazer parte dele. Estava incompleto.
Quis gritar, mas então olhou pro céu que estava púrpuro, viu o desenho dela nas nuvens e sentiu a ternura do que pensou ser o seu olhar. Suas lágrimas juntaram-se à chuva. Irreversível. Página virada. Mas não, ele não foi capaz de seguir em frente, era todo torpor. Nem sequer havia como dizer algo para ela e ele sabia disso, decidiu falar com as nuvens.
"Por quê?" Poderia falar tanta coisa, qualquer coisa. Só conseguiu perguntar o motivo do castigo que pairava sobre ele. Fechou os olhos e ficou a pensar, ele mesmo, no meio da rua deserta, nas possíveis respostas. E, enquanto isso, nem percebeu que as nuvens haviam ido embora e no lugar delas, um arco-íris apareceu.
Agradeceu aos céus; a ela. Um ano após a alma dela tê-lo abandonado, ele finalmente conseguiu entender que não importa o quanto demora uma chuva, porque quando esta se for, em algum lugar, um arco-íris vai aparecer.
Foi então que ele passou a gostar de domingos chuvosos.
- A. Pacheco.
Suportar chuvas melancólicas que agora lhe caíam como adagas é que tornou-se difícil, estava acostumado a sentí-las como pétalas quando estava junto dela. Ah! Ela. Fazia-lhe tanta falta que chegava a ficar aborrecido; como ela poderia tê-lo abandonado?
Via as lembranças na sua frente, naquela mesma rua onde tudo começou. Lembranças que a chuva fazia questão de deformar. Percebeu que tudo era muito injusto, que havia um punhal nas suas costas e que este passava a fazer parte dele. Estava incompleto.
Quis gritar, mas então olhou pro céu que estava púrpuro, viu o desenho dela nas nuvens e sentiu a ternura do que pensou ser o seu olhar. Suas lágrimas juntaram-se à chuva. Irreversível. Página virada. Mas não, ele não foi capaz de seguir em frente, era todo torpor. Nem sequer havia como dizer algo para ela e ele sabia disso, decidiu falar com as nuvens.
"Por quê?" Poderia falar tanta coisa, qualquer coisa. Só conseguiu perguntar o motivo do castigo que pairava sobre ele. Fechou os olhos e ficou a pensar, ele mesmo, no meio da rua deserta, nas possíveis respostas. E, enquanto isso, nem percebeu que as nuvens haviam ido embora e no lugar delas, um arco-íris apareceu.
Agradeceu aos céus; a ela. Um ano após a alma dela tê-lo abandonado, ele finalmente conseguiu entender que não importa o quanto demora uma chuva, porque quando esta se for, em algum lugar, um arco-íris vai aparecer.
Foi então que ele passou a gostar de domingos chuvosos.
- A. Pacheco.

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